Casamento: Uma Matriz do Hedonismo Cristão

Por John Piper. 

Efésios 5:21-33
21)Sujeitem-se uns aos outros, por temor a Cristo. 22) Mulheres, sujeite-se cada uma a seu marido, como ao Senhor, 23) pois o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, que é o seu corpo, do qual ele é o Salvador. 24) Assim como a igreja está sujeita a Cristo, também as mulheres estejam em tudo sujeitas a seus maridos. 25) Maridos, ame cada um a sua mulher, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se por ela 26) para santificá-la, tendo-a purificado pelo lavar da água mediante a palavra, 27) e para apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável. 28) Da mesma forma, os maridos devem amar cada um a sua mulher como a seu próprio corpo. Quem ama sua mulher, ama a si mesmo. 29) Além do mais, ninguém jamais odiou o seu próprio corpo, antes o alimenta e dele cuida, como também Cristo faz com a igreja, 30) pois somos membros do seu corpo. 31) “Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne.” 32) Este é um mistério profundo; refiro-me, porém, a Cristo e à igreja. 33) Portanto, cada um de vocês também ame a sua mulher como a si mesmo, e a mulher trate o marido com todo o respeito.
A teologia de Paulo sobre o casamento começa com a Palavra de Deus: a Palavra de Deus que é Jesus Cristo; e a Palavra de Deus que é o Velho Testamento inspirado. E como Deus não é um Deus de confusão, sua Palavra é coerente. Ela possui unidade. Então, quando Paulo deseja entender o casamento, ele olha para a Palavra de Deus, para Jesus e para as Escrituras. Quando ele une Cristo e a Escritura para ouvir a Palavra de Deus sobre o casamento, o que ele escuta é um mistério profundo com implicações práticas muito intensas. E o que eu desejo fazer com vocês esta manhã é explorar este mistério e aplicar duas de suas implicações práticas às nossas vidas.
O Casamento em Gênesis
Efésios 5:31 é uma citação de Gênesis 2:24, "Por esta razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá a sua mulher, e eles se tornarão uma só carne." Logo Paulo acrescenta no versículo 32, "Este é um mistério profundo; refiro-me, porém, a Cristo e à igreja." Paulo sabia algo sobre Cristo e a igreja que o levou a ver em Gênesis 2:24 um mistério no casamento. Voltemos a Gênesis 2:24 e vejamos mais de perto o contexto deste versículo e sua conexão com a criação.
De acordo com Gênesis 2, Deus criou Adão primeiro e o colocou no jardim sozinho. Então, no versículo 18 o Senhor declarou: "Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda." Não acho que este seja um indício da comunhão de Adão com Deus; nem tampouco é uma pista de que o jardim era muito difícil de cuidar. A questão é que Deus fez o homem para ser sociável. Deus não nos criou para sermos depósitos de sua misericórdia, mas sim condutores. Nenhum homem é completo a não ser que esteja conduzindo graça (como eletricidade) entre Deus e outra pessoa. (Nenhum solteiro deve concluir que isso só é possível no casamento.) Deve haver outra pessoa, e não um animal. Assim, em Gênesis 2:19-20 Deus trouxe os animais à Adão para mostrar-lhe que os animais nunca seriam como "alguém que o auxilie e lhe corresponda." Oh, os animais ajudam muito! Mas somente uma pessoa pode ser co-herdeira da graça da vida (1 Pedro 1:4-7). Somente uma pessoa pode receber, apreciar e desfrutar da graça. O que o homem precisa é de outra pessoa com quem ele possa compartilhar o amor de Deus. Os animais não irão fazê-lo! Existe uma diferença infinita entre compartilhar as luzes nórdicas com quem você ama do que com seu cachorro.
Portanto, de acordo com o versículo 21, "Então o SENHOR Deus fez o homem cair em profundo sono e, enquanto este dormia, tirou-lhe uma das costelas, fechando o lugar com carne. Com a costela que havia tirado do homem, o SENHOR Deus fez uma mulher e a levou até ele." Havendo mostrado ao homem que nenhum animal poderia ser seu auxílio, Deus fez outro humano de sua própria carne e osso para ser como ele – e, no entanto muito diferente dele. Ele não criou outro homem. Ele criou uma mulher. E Adão reconheceu nela um par perfeito para ele – completamente diferente dos animais. "Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque do homem foi tirada."
Ao criar uma pessoa como Adão e ao mesmo tempo muito diferente dele, Deus forneceu a possibilidade de uma unidade profunda que, ao contrário, teria sido impossível. Existe um tipo diferente de unidade desfrutada na união de partes complementares do que na união de duas partes iguais. Quando cantamos uma mesma linha melódica, ela é chamada “uníssono”, que significa “um som.” Mas quando unimos diversas linhas de soprano, alto, tenor e baixo, a chamamos de harmonia, e todo aquele que tem um bom ouvido sabe que algo mais profundo em nós é tocada pela grande harmonia do que pelo uníssono. Assim Deus fez uma mulher e não outro homem. Ele criou a heterossexualidade, não a homossexualidade. A primeira instituição de Deus foi o casamento, e não a fraternidade.
Note a conexão entre os versículos 23 e 24, assinalados pelo termo “por esta razão” no versículo 24. No versículo 23 o foco está fixado em dois aspectos: objetivamente, no fato de que a mulher é parte da carne e osso do homem; subjetivamente, na alegria que Adão experimenta ao ser apresentado à mulher. “Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne!” A partir destes dois aspectos, o autor faz uma inferência sobre o casamento no versículo 24. “Por esta razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá a sua mulher, e eles se tornarão uma só carne.” Em outras palavras, no princípio Deus fez a mulher do homem como osso de seus ossos e carne de sua carne, e então Deus a trouxe ao homem para descobrir em viva comunhão o que significa ser uma só carne. Então, o versículo 24 trás a lição de que o casamento é simplesmente isto: um homem deixando pai e mãe porque Deus deu a ele uma união com esta mulher e não outra, descobrindo a experiência de ser uma só carne. Isto é o que Paulo viu ao olhar para a Palavra de Deus nas Escrituras.
O Mistério do Casamento
Mas Paulo conhecia outra Palavra de Deus – Jesus Cristo. Ele o conhecia profundamente e intimamente. Ele aprendeu com Jesus que a igreja é o corpo de Cristo (Efésios 1:23). Pela fé, uma pessoa é unida a Jesus Cristo e a outros crentes de maneira que “todos somos um em Cristo Jesus” (Gálatas 3:28). Os irmãos em Cristo são o corpo de Cristo – nós somos o organismo pelo qual ele manifesta sua vida e no qual o seu Espírito habita. Ao conhecer este aspecto sobre a relação entre Cristo e a igreja, Paulo enxerga aqui um paralelo com o casamento. Ele vê que marido e mulher se tornam uma só carne (de acordo com 2:24) e que Cristo e a igreja se tornam um só corpo. Assim, ele deseja dizer à igreja, por exemplo, em 2 Coríntios 11:2, “O zelo que tenho por vocês é um zelo que vem de Deus. Eu os prometi a um único marido, Cristo, querendo apresentá-los a ele como uma virgem pura.” Ele vê Cristo como o esposo, e a igreja como a noiva, e a conversão destes como um ato matrimonial que ele ajudou a acontecer. A apresentação da noiva para seu esposo irá provavelmente ocorrer na segunda vinda do Senhor. Isso também é descrito em Efésios 5:27. Assim, parece que Paulo usa a relação do casamento humano, aprendida em Gênesis 2, para descrever e explicar a relação entre Cristo e a igreja.
Mas quando falamos disso desta maneira, algo muito importante é esquecido. Isso nos leva de volta para onde começamos em Efésios 5:32. Depois de citar Gênesis 2:24 sobre o homem e a mulher se tornando uma só carne, Paulo diz, “Este é um mistério profundo; refiro-me, porém, a Cristo e à igreja.” O casamento é um mistério. Existe algo mais que os olhos não podem ver. O que é? Eu acho que é isto: Deus não criou a união de Cristo e a igreja depois do padrão do casamento humano; mas ao contrário, ele criou o casamento humano segundo o padrão da relação de Cristo com a igreja. O mistério de Gênesis 2:24 é que o casamento descrito é uma parábola ou um símbolo da relação de Cristo e seu povo. Deus não faz as coisas de maneira casual. Tudo tem um propósito e um significado. Quando Deus se dispôs a criar o homem e a mulher e ordenar a união do casamento, ele não jogou dados, tirou o maior palito ou jogou cara e coroa. Ele padronizou o casamento com propósito, a partir da relação entre o seu Filho e a igreja, a qual ele planejou desde a eternidade. E mesmo que o casamento seja um mistério – ele contém e esconde um significado muito maior do que podemos ver por fora. O que Deus uniu no casamento deve ser um reflexo da união entre o Filho de Deus e a sua noiva, a igreja. Para aqueles de nós que somos casados, é preciso ponderar várias vezes quão misterioso e maravilhoso é o fato de que Deus nos tenha dado o privilégio de refletir realidades divinas estupendas e infinitamente maiores do que nós mesmos.
Imitando Cristo e a Igreja
Agora, quais são algumas das implicações práticas deste mistério do casamento? Irei mencionar as duas que parecem dominar a passagem em Efésios. Uma é que maridos e esposas devem conscientemente copiar a relação que Deus estabeleceu para Cristo e sua igreja. A outra é que no casamento cada parceiro deve buscar sua própria alegria na alegria do outro; ou seja, o casamento deve ser uma matriz do Hedonismo Cristão.
Primeiramente, então, qual padrão Deus queria para maridos e esposas quando ele ordenou o casamento como uma parábola misteriosa ou imagem da relação entre Cristo e a igreja? Paulo menciona duas coisas, uma para a esposa e outra para o esposo. À esposa ele diz nos versículos 22-24,
Mulheres, sujeite-se cada uma a seu marido, como ao Senhor, pois o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, que é o seu corpo, do qual ele é o Salvador. Assim como a igreja está sujeita a Cristo, também as mulheres estejam em tudo sujeitas a seus maridos. De acordo com o padrão divino, as mulheres devem basear-se unicamente no propósito da igreja. Como a igreja é submissa a Cristo, então as esposas devem submeter-se aos seus maridos. A igreja se submete a Cristo como seu cabeça. Versículo 23: pois o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja.” Liderança implica pelos menos duas coisas: Cristo é provedor ou Salvador, e Cristo é autoridade ou líder. “Cabeça” é usada duas outras vezes em Efésios. Efésios 4:15,16 ilustra o cabeça como provedor e Efésios 1:20-23 ilustra o cabeça como autoridade.
Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo. Dele todo o corpo, ajustado e unido pelo auxílio de todas as juntas, cresce e edifica-se a si mesmo em amor, na medida em que cada parte realiza a sua função. (4:15,16)
A cabeça é a meta para a qual crescemos e a provisão que permite o crescimento. Então, considere Efésios 1:20-23,
Esse poder ele exerceu em Cristo, ressuscitando-o dos mortos e fazendo-o assentar-se à sua direita, nas regiões celestiais, muito acima de todo governo e autoridade, poder e domínio, e de todo nome que se possa mencionar, não apenas nesta era, mas também na que há de vir. Deus colocou todas as coisas debaixo de seus pés e o designou cabeça de todas as coisas para a igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que enche todas as coisas, em toda e qualquer circunstância.
Quando Deus ressuscitou Cristo dos mortos, ele o fez cabeça no sentido de conceder a ele poder e autoridade sobre todo governo, autoridade e domínio. Portanto, do contexto de Efésios, a liderança do marido implica que de acordo com suas possibilidades ele deve aceitar a grande responsabilidade de suprir as necessidades de sua esposa (incluindo necessidades materiais, mas também proteção e cuidado) e ele deve aceitar a grande responsabilidade de autoridade e liderança na família.
Assim, quando o versículo 24 diz, “Assim como a igreja está sujeita a Cristo, também as mulheres estejam em tudo sujeitas a seus maridos,” o significado básico de submissão seria: reconhecer e honrar a grande responsabilidade do seu marido em prover sua proteção e sustento; estar disposta a ceder à sua autoridade em Cristo e estar inclinada a seguir sua liderança. A razão pela qual eu digo que submissão significa disposição a ceder e uma inclinação a seguir é que a pequena frase “como ao Senhor” no versículo 22 limita o escopo da submissão. Nenhuma esposa deve substituir a autoridade de Cristo pela autoridade de seu marido. Ela não pode ceder ou seguir seu marido até o pecado. Mas mesmo quando uma esposa cristã estiver firme com Cristo contra a vontade pecaminosa de seu marido, ela ainda pode ter um espírito de submissão. Ela pode mostrar pela sua atitude e comportamento que ela não gosta de resistir à vontade dele e que ela deseja que ele abandone o pecado e a guie em justiça para que sua disposição de honrá-lo como cabeça possa novamente produzir harmonia. Dessa forma, nessa misteriosa parábola do casamento, a mulher deve ter como base especial o propósito de Deus para a igreja em sua relação com Cristo.
Agora, para os maridos, Paulo diz, sejam baseados em Cristo. Versículo 25, “Maridos, ame cada um a sua mulher, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se por ela.” Se o marido é o cabeça da mulher como o versículo 23 diz, que fique bem claro para todos os maridos que isso significa primordialmente liderar com um tipo de amor que está disposto a morrer para dar a ela vida. Como Jesus diz em Lucas 22:26, “aquele que governa, [deverá ser] como o que serve.” O marido que senta na frente da televisão e dá ordens à sua esposa como uma escrava abandonou Cristo a favor de Archie Bunker . Cristo se humilhou ao usar uma toalha para lavar os pés dos apóstolos. Se você deseja ser um marido cristão, copie Jesus e não Jabba o Hutt .
É verdade que o versículo 21 coloca todo esse trecho sob o sinal da submissão mútua. “Sujeitem-se uns aos outros, por temor a Cristo.” Mas não se deve inferir deste versículo que a maneira que Cristo se submete à igreja e a maneira que a igreja se submete a Cristo são as mesmas. A igreja se submete a Cristo por uma disposição em seguir sua liderança. Cristo se submete à igreja por uma disposição a exercer sua liderança em serviço humilde a ela. Quando Cristo disse, “aquele que governa, [deverá ser] como o que serve,” ele não quis dizer aquele que governa deverá deixar de ser líder. Mesmo quando ele estava de joelhos lavando os pés dos discípulos ninguém duvidou sobre quem era o líder. Da mesma forma, nenhum marido cristão deve se ausentar de sua responsabilidade em Deus de prover visão moral e liderança espiritual como o servo humilde de sua esposa e família.
Assim, a primeira implicação do mistério do casamento como a reflexão da relação de Cristo com a igreja é que as esposas devem ter como fundamento a igreja e os maridos devem ter como fundamento a Cristo. E, em qualquer casamento que você encontre nesses moldes, você verá duas das pessoas mais felizes do mundo, porque a vida deles se molda à Palavra de Deus nas Escrituras e à Palavra de Deus em Jesus Cristo.
Buscando a Felicidade na Felicidade do Outro
Uma implicação final e prática do mistério do casamento: o marido e a esposa devem buscar sua própria felicidade na felicidade do outro. Não existe uma passagem tão hedonista na Bíblia como a de Efésios 5:25-30. Este texto deixa claro que a razão de existir tanta miséria no casamento não é que maridos e esposas estão buscando seu próprio prazer, mas que não o estão buscando no prazer de seus cônjuges. No entanto, este texto nos ordena a fazer exatamente aquilo porque é exatamente o que Cristo faz.
Primeiro, note o exemplo de Cristo nos versículos 25-27:
Maridos, ame cada um a sua mulher, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se por ela (Porque ele se entregou?) para santificá-la, tendo-a purificado pelo lavar da água mediante a palavra, (Porque ele a purificou?) e para apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável.
Cristo morreu pela igreja para que pudesse apresentar a si mesmo uma bela noiva. Ele enfrentou a cruz pela alegria do casamento que foi apresentado diante dele. Mas qual é a alegria final da igreja? Não é ser apresentada como esposa para o Cristo soberano? Desse modo, Cristo buscou sua própria alegria na alegria da igreja. Portanto, o exemplo que Cristo dá aos maridos é buscar a sua felicidade na felicidade de suas esposas. O versículo 28 explicita essa aplicação. “Da mesma forma, os maridos devem amar cada um a sua mulher como a seu próprio corpo. Quem ama sua mulher, ama a si mesmo. Além do mais, ninguém jamais odiou o seu próprio corpo, antes o alimenta e dele cuida.” Paulo reconhece uma das pedras angulares do Hedonismo Cristão: “Ninguém jamais odiou o seu próprio corpo.” Até mesmo aqueles que cometem suicídio o fazem para escapar da miséria. Por natureza, amamos a nós mesmos, ou seja, fazemos aquilo o que pensamos que vai nos fazer feliz no momento. Paulo não constrói uma barreira contra o rio do hedonismo; ele constrói um canal. Ele diz, “Maridos e mulheres, reconheçam que no casamento vocês se tornaram uma só carne; portanto, se você viver para seu próprio prazer à custa de seu cônjuge, você está vivendo contra si mesmo e destruindo sua maior alegria. Mas se você se dedicar com todo seu coração à alegria santa do seu cônjuge, você também irá viver para a sua própria alegria, tornando o casamento segundo a imagem de Cristo e sua igreja.”
Não que meu testemunho pessoal pudesse adicionar qualquer peso à Palavra de Deus, mas quero testemunhar mesmo assim. Eu descobri o Hedonismo Cristão no mesmo ano em que me casei, em 1968. Por quinze anos Noël e eu, em obediência a Jesus Cristo, temos buscado da maneira mais apaixonada que podemos a alegria mais profunda e duradoura possível. Tudo isso com imperfeição, e com o coração dividido algumas vezes, temos perseguido nossa própria felicidade, como um caçador, na felicidade do outro. E podemos testificar juntos: é aí em que se encontra o prêmio. E acreditamos que fazendo do casamento uma matriz do hedonismo Cristão, com cada um desempenhando o papel designado, o mistério do casamento como uma parábola de Cristo e a igreja se torna manifesto para a sua grande glória. Amém.

Tradução por Yara Ferrari.
Uma Parte da série Desiring God

Via Traduções Evangélicas

Ame Sua Família

Por Tedd Tripp. Tradução por Editora Fiel.
Uma Parte da série Fe Para Hoje

Amado Timóteo,

Muito obrigado por sua ligação na semana passada. Sou muito grato a Deus por tudo estar bem com você neste início de seu ministério. Você e Mary, e sua jovem família, são motivo de grande alegria para Margy e eu. Nós os amamos e nos regozijamos no que o Senhor está fazendo em suas vidas.
Estou contente em poder colocar no papel algumas idéias sobre a vida familiar de um pastor. É um grande prazer saber que você está preocupado em ser um homem de Deus, não apenas no púlpito e na vida ministerial, mas também em sua própria casa.
Como você sabe, uma das qualificações para o ministério do evangelho é ter uma vida familiar exemplar, sendo alguém “que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?)” (1 Tm 3.4-5).
O lar é um microcosmo da igreja. As qualidades da vida espiritual que dão credibilidade ao pastor em casa fornecerão a mesma medida de confiança às pessoas que ele serve na igreja. A vitalidade espiritual que permite sua família seguir com alegria sua liderança assegurará a igreja de que ela está em boas mãos. A vida familiar é, no entanto, muito mais do que apenas um local para mostrar habilidades pastorais. É a própria fornalha na qual estas características são forjadas.
A qualidade de sua vida familiar ou irá lhe investir de credibilidade ou, então, irá roubá-la de você. Você pode imaginar uma mulher na igreja tendo confiança em um pastor cuja esposa é infeliz? As pessoas veriam um homem como um seguro guia espiritual, se seus filhos fossem rebeldes e incontroláveis ou tímidos e oprimidos? Cada vez que você prega a Palavra, ou provê conselhos, ou ainda traz segurança e conforto para pessoas perturbadas, a qualidade de sua vida familiar irá dar o peso necessário às suas palavras. O objetivo da santidade na vida familiar não é a credibilidade, mas sim a glória de Deus. Entretanto, as pessoas sob seu cuidado irão observar atentamente sua vida familiar.
Um pastor ocupado freqüentemente se sente dividido entre as necessidades de sua família e as necessidades da igreja. Se você pensar a este respeito, verá que nunca há competição entre os chamados de sua vida familiar e os chamados do ministério do evangelho. Você serve à Igreja ao servir à família. Todo investimento feito no seu lar pagará os mais altos dividendos para a igreja. Você estará mostrando às suas ovelhas como as graças do evangelho repercutem em sua vida familiar.
Conforme tenho refletido sobre suas perguntas acerca da vida em família, pensei em três assuntos importantes que podem ajudá-lo a organizar seus pensamentos a respeito desta parte da vida: Seja um líder espiritual para sua família. Seja um marido e um pai para sua família. Seja o protetor de sua família.
SEJA UM LÍDER ESPIRITUAL
A passagem clássica a respeito deste chamado é Deuteronômio 6, quando Moisés está dando aos homens uma visão a longo prazo. Seu foco não é sobreviver e nem conseguir chegar ao fim da semana. Os chamados da liderança espiritual são para que você, o seu filho e o filho do seu filho conheçam e temam o Senhor (v. 2). Esta visão para três gerações o ajudará a resistir às tentações de cair nas conveniências do momento. Como pais, temos preocupações mais importantes do que unicamente o momento — nos preocupamos com o lugar onde nossos netos estarão daqui a cinqüenta anos. Naturalmente, sua liderança espiritual é imprescindível para a família. Deuteronômio 6.5,6 deixa isto muito claro: “Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras…estarão no teu coração”.
Sua família precisa ver as riquezas de seu caminhar espiritual um tanto à parte de suas obrigações ministeriais. Sua alegria em Cristo, sua vitalidade como homem de Deus, sua afabilidade face às oposições, seu foco claro na graça de Cristo (não apenas por perdão, mas também por capacitação) será a lente pela qual eles verão todos os seus esforços para ministrar a graça de Deus a eles.
Compartilhe com sua esposa e seus filhos seu dia a dia. Na medida em que você encontra conforto e forças em Cristo, deixe que eles o vejam lendo e meditando na Palavra de Deus. Deixe que eles o observem como um homem de oração e de humildes fraquezas diante de um Deus de força. Nada irá prover sua família com tanto bem-estar quanto o seu amor e devoção a Deus.
Um outro aspecto de grande importância na liderança espiritual é retratar uma visão correta do mundo para seus filhos. Deuteronômio 6 fala disso com bastante pungência. “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te” (Dt 6.6,7).
Seus filhos precisam entender a natureza da realidade. Por trás deste mundo de imagens e sons há um mundo invisível de realidade espiritual que dá sentido ao mundo que vemos, tocamos e com o qual lidamos. A árvore no quintal que prove sombra e morada aos pássaros e esquilos, e também serve para as crianças subirem e até construírem uma fortaleza, existe pela vontade do Deus invisível. É sua criação. Ela existe como um hino de louvor à sua criatividade, sabedoria e capacidade. Ele nos tem dado estas coisas para nosso próprio deleite, para que possamos conhecê-Lo, adorá-Lo e deleitarmo-nos nEle. Como você pode ver, Timóteo, ninguém consegue realmente compreender a árvore sem antes observar o invisível naquilo que é visível.
Ajudar as crianças a entenderem a natureza da realidade requer imaginação. Nossos filhos precisam enxergar aquilo que é invisível aos olhos. Nós, cristãos, somos um povo cujo comprometimento com o mundo invisível da realidade espiritual define nossas interpretações e respostas às coisas que verdadeiramente podemos ver.
A palavra imaginação não é usada em Deuteronômio 6, mas o uso da imaginação é essencial. Seu filho lhe perguntará: “Que significam os testemunhos, e estatutos, e juízos que nós seguimos?” (veja Dt 6.20). Para responder a esta pergunta, o pai precisa engajar a imaginação do filho em eventos do passado, como a escravidão no Egito e a audaciosa e dramática libertação através do braço forte de Deus. Estas histórias por acaso poderiam ser contadas de forma a impressionar as crianças sem que fosse feito uso da imaginação?
Desenvolver a imaginação de seus filhos irá ajudá-los a enxergar aquilo que não é visível aos olhos. Eugene Peterson colocou este assunto da seguinte forma:
A imaginação é a capacidade de fazer conexões entre o visível e o invisível, entre o céu e a terra, entre o presente e o passado, entre o presente e o futuro.1
Pense nesta tarefa de ajudar as crianças a enxergarem a natureza da realidade como instrução formativa. Você está dando a elas formas de pensar e entender seu próprio mundo, de maneira enraizada na Bíblia. Nossos filhos não vivem à parte dos eventos e circunstâncias da vida, mas vivem à parte quanto à forma como interpretam e respondem a isto. A chave para a interpretação é a pessoa e a existência do verdadeiro Deus que vivo está.
Passe algum tempo lendo a Palavra com eles todos os dias. Ajude-os a enxergar as glórias e maravilhas de Deus. O Salmo 145 nos dá uma descrição esplêndida deste aspecto da paternidade: “Uma geração louvará a outra geração as tuas obras e anunciará os teus poderosos feitos. Divulgarão a memória de tua muita bondade e com júbilo celebrarão a tua justiça” (Sl 145.4,7). Seus filhos são feitos à imagem de Deus. Eles foram criados para a adoração; ajude-os a serem fascinados por Deus.
Naturalmente, você precisa ajustar o momento dos cultos domésticos de acordo com as limitações físicas e intelectuais de seus filhos. Seja fiel no culto doméstico e esteja certo de que este ato conecte seus filhos ao mundo invisível da realidade espiritual. Aquilo que é invisível e eterno nos capacita a interpretar corretamente o que vemos.
SEJA UM MARIDO E PAI
Tenho de lembrá-lo, Timóteo, que você deve renunciar sua vida em favor de Mary. Em Efésios 5.25, Deus o chama para amar Mary com o mesmo amor de auto-sacrifício que levou Jesus a entregar sua vida livremente pela igreja.
Ao se tornar sua esposa, muitos desafios foram colocados diante da vida de Mary. Ela está na berlinda. Há muitas expectativas sobre ela. As pessoas olham para ela, esperando que ela entenda intuitivamente todas as suas esperanças, medos e aspirações. Ela tem de estar sempre pronta a dar um sábio conselho, ou apenas um ombro amigo. Outras mulheres pensam que ela é um compêndio de dicas sobre uma vida de sucesso. Outras, olham para ela a fim de receberem uma aprovação para as próprias vidas. Algumas irão invejála e ignorá-la. E ela tem de estar pronta para a hospitalidade ao primeiro soar da campainha. Qualquer interação com seu filho estará sujeita ao escrutínio de algum olho analítico, seja de um imitador ou de um crítico. Ela aceitou passar por todas estas pressões, quando se tornou a esposa de um pastor.
Mary precisa de um marido. Ela precisa de um homem que seja casado com ela, e não com a igreja. Ela foi criada para florescer sob os cuidados de seu marido. Pedro, o apóstolo inspirado, diz que você deve cuidar dela — viver a vida comum do lar, com discernimento. Pedro diz que, enquanto você cuida de sua esposa, como a parte mais frágil, sua vida de oração prosperará.
Leia a Bíblia e ore com Mary todos os dias. Tome algum tempo do seu dia para pastoreá-la. Dê-lhe oportunidades para falar com você sobre suas preocupações, dúvidas e questionamentos, assim como também sobre seus sonhos, objetivos e alegrias. Conheça estas coisas. Facilite a conversação, deixando-a perceber que as coisas que importam para ela são também importantes para você. Ajude-a a encontrar refúgio e esperança na graça de Cristo. Ajude-a a lembrar que graça significa mais do que o perdão; também significa capacitação.
Tenha prazer nela, elogie seu novo corte de cabelo ou o seu vestido novo; separe um tempo todos os dias para olhar em seus olhos, como você costumava fazer quando começaram a namorar. Expresse sua gratidão pela maneira graciosa com que Mary recebe os convidados, fazendo-os sentirem-se em família. Faça com que ela saiba o quanto você aprecia seus esforços para tornar a casa mais bonita. Uma esposa é como uma amável flor. Ela irá desabrochar em lindas cores, enchendo todo o lar com um delicioso aroma de alegria, na medida em que você cria um ambiente encorajador ao crescimento. Encha a sua vida com a luz do sol, ao se deleitar nela e regue-a com um tratamento gracioso e orações. Enquanto cuida dela, você está cuidando da igreja.
Quando Pedro falou sobre a esposa como a parte mais frágil, estava declarando que Deus ordenou ao marido o trabalho pesado na vida familiar. Ele não está falando apenas de carregar as compras e outras coisas mais pesadas, mas sim que o homem deve ser aquele que carrega a responsabilidade sobre seus ombros. Os pesos das preocupações familiares, a educação das crianças, os cuidados e preocupações com a igreja, as lutas para viver com o limitado salário de um pastor — todas estas coisas devem ser suportadas pelo homem da casa. Ela irá, obviamente, ajudálo a levar estes pesos, mas você é o responsável pelo trabalho pesado. A sobrecarga de estar ciente do peso da vida não a esmagará, se ela souber que você, como um homem valoroso, está suportando todos os fardos com seus ombros.
Eu sei que você já tem conhecimento destas coisas e está bem fundamentado nestas verdades, mas assim como Pedro, eu o estimulo a lembrar-se delas (2 Pe 1.12,13).
Ao amar e cuidar de sua esposa, você cria um ambiente seguro e estável para seus filhos. Eu me lembro de minha filha, Heather, vindo até mim, quando era apenas uma menininha. Ela disse: “Papai, eu estou feliz porque você me ama”. Eu respondi brincando com ela, “Como você sabe que eu te amo?” “Porque”, ela disse, com muito mais discernimento que o esperado de uma criança de sete anos, “você ama a mamãe”. Oh, como seria bom poder inculcar este discernimento na mente de todo marido e pai! Amar sua esposa faz seus filhos sentirem-se amados.
Na verdade, o oposto também é verdadeiro. Amar seus filhos faz sua esposa se sentir amada. Eu me lembro de uma noite quando as crianças ainda eram pequenas, eu estava engatinhando no chão, brincando com elas. Inesperadamente Margy apareceu atrás de mim e colocou seus braços ao redor de meu pescoço dizendo: “Eu te amo tanto”. Eu respondi: “Eu também te amo, mas, por que você está dizendo isto agora?” Ela disse: “Eu simplesmente te amo”. Agora entendo o que a levou àquela demonstração espontânea de carinho. Eu estava investindo minha vida nas crianças e isto era um investimento que significava tudo para ela; então, isto a fez sentir-se mais perto de mim.
Eu sempre fui fascinado por Efésios 6.4 colocar disciplina e educação nas mãos do pai. Todos sabem que as mães passam muito mais tempo com os filhos. Então, por que isto deveria ser identificado como um chamado dos pais? As mães, obviamente, também são responsáveis pela disciplina e educação dos filhos. Educar os filhos, no entanto, pode não ser tão natural para os homens quanto o é para as mulheres, mas Deus diz que é sua obrigação. O fato deste chamado ter sido designado aos pais, significa que eles devem prover a liderança na educação dos filhos.
Você é o homem de Deus para a liderança na disciplina, correção e motivação de seus filhos. Você tem o importante papel de dividir sua visão desta tarefa com Mary. Você pode ser a referência dela para uma série de questões e também o seu encorajamento, quando ela for tentada a ser muito tolerante ou ainda muito dura. Você pode formar acordos de parceria com Mary sobre quando e como disciplinar. É um chamado específico dos pais assegurar que os filhos sejam criados na disciplina e instrução do Senhor.
Em Gênesis 18.19, Deus diz aos líderes do lar palavras que são tão verdadeiras para nós, como eram para Abraão: “Porque eu o escolhi para que ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, a fim de que guardem o caminho do SENHOR e pratiquem a justiça e o juízo; para que o SENHOR faça vir sobre Abraão o que tem falado a seu respeito”. Deus irá cumprir todas as suas promessas para Abraão, mas Ele irá fazê-lo no contexto da função de Abraão, como alguém que é fiel a Deus.
Há muitas fases em nossas vidas. Você está na fase do novo ministério e dos cuidados e preocupações com uma jovem família. Haverá outras fases, na medida em que você e sua família amadurecem e envelhecem. É importante que você seja um líder previsível, estável e íntegro. Sua esposa e filhos irão se fortalecer ao vê-lo viver como um homem deslumbrado por Deus, sendo, portanto, cheio de alegria e confiança em todas as fases da vida.
SEJA UM PROTETOR
O corpo humano é uma maravilha da sabedoria e criatividade de Deus. O corpo nos provê com algumas analogias muito interessantes, para pensarmos sobre alguns assuntos. A membrana de uma célula humana, por exemplo, ao mesmo tempo em que está aberta àquilo que lhe é desejável, também está fechada para tudo que não é. Você precisa criar “membranas” como esta ao redor de sua família. Algumas das proteções que sua família precisa são comuns a todas, enquanto outras são específicas à família de um pastor.
Como em qualquer família, você precisa afastar as más influências da cultura. Um de meus antigos professores do seminário, Dr. Robert K. Rudolph, gostava de dizer: “Mentes abertas, assim como janelas abertas, precisam de telas para manter os insetos do lado de fora”. Você precisa proteger tudo aquilo que é bom e respeitável através de “telas” para o seu lar. Agora, enquanto as crianças ainda são pequenas, é um bom tempo para você e Mary desenvolverem padrões específicos que irão usar para filtrar o que entra em sua casa. Obviamente, a cultura ímpia e anticristã que a mídia comum oferece não deve ser trazida para dentro do lar.
Haverá ocasiões que você terá de regular inclusive o tipo de acesso que algumas pessoas têm a seus filhos. Você terá de ser muito discreto e sábio com relação a maneira de fazer isto, mas seus filhos (e até mesmo sua esposa, algumas vezes) devem ser protegidos de algumas pessoas que Deus chamou para estarem sob seu pastoreio. Se o propósito de alguém é malevolente, sua família deve ser protegida. Felizmente, não haverá muitas ocasiões em que tal proteção será necessária.
Você também tem de guardar um tempo para sua família, ou não terá mais nenhum tempo junto deles. Esteja certo de organizar sua vida e seu ministério de forma a garantir um tempo com sua família. Eles precisam de tempo com você. Tempo para brincar e para os pequenos prazeres de estarem juntos pensando, meditando ou até mesmo lendo um bom livro. É importante que o papai esteja em casa investindo um tempo na vida familiar, e que abra mão dele somente se houver uma emergência. Que você esteja em casa, com o único propósito de desfrutar de sua família, sem nada mais em sua agenda.
Algumas destas proteções podem ser feitas apenas gerenciando bem a sua rotina, e agendando horários quando não estará ocupado com a congregação que você serve. É bom que suas ovelhas saibam que há ocasiões nas quais é melhor que elas não liguem para você, e também outros momentos nos quais as ligações são sempre bem-vindas. Claro que haverá emergências como doença, morte e crises familiares que cancelarão sua agenda, mas é um bom exemplo aos homens que você serve e um encorajamento às esposas deles, saber que o pastor tem tempo junto de sua família e o preserva.
É sábio que o pastor que tem filhos pequenos mantenha seu escritório de estudos e aconselhamento no prédio da igreja. Se você trabalhar em casa, estará sempre distraído e sera pouco produtivo. Seus filhos não entenderão por que o papai não “vem brincar”. Se você trabalhar no prédio da igreja, quando estiver em casa, realmente estará “em casa”.
A casa de um pastor é por definição uma casa aberta. Você quer que sua família tenha alegria em compartilhar a hospitalidade e use todos os seus dons para ministrar a graça de Deus aos outros (veja 1 Pe 4.9,10). E exatamente por esta razão, é importante que você proteja sua família de se perder, enquanto ministra aos outros. Há uma preocupação óbvia aqui. Sua casa deve ser aberta, a fim de que os outros possam se revigorar com a beleza e alegrias de uma vida piedosa no lar. Ao mesmo tempo, sua família precisa ter a ordem de uma rotina normal e previsível.
Se você conseguir manter um equilíbrio apropriado aqui, descobrirá que a casa de um pastor pode ser um lugar maravilhoso para o ministério do evangelho. Numa cultura em que a vida familiar vem desmoronando, as pessoas estão sedentas por ver uma família na qual há alegria e amor por Deus e pelos outros. Você pode encorajar seus filhos a terem um amor sincero por usar sua casa e vida familiar como algo útil para ministrar aos outros. Algumas das melhores lembranças de nossos filhos são de ocasiões quando tínhamos convidados ao redor da mesa, e as pessoas desfrutavam não apenas uma boa refeição, mas também de uma conversa espiritual amistosa.
Proteja sua família, guardando seu coração de querer agradar os homens. A tentação será colocar as expectativas das pessoas de sua congregação antes de sua esposa e filhos. Richard Baxter escreveu um maravilhoso capítulo sobre os medos dos homens em Christian Directory (Diretório Cristão)2. Ele mostra como é impossível agradar a todas as pessoas. Você tem uma multidão para agradar e ao agradar alguém acaba desagradando o outro. Através de várias páginas de grande utilidade, ele mostra a impossibilidade de agradar aos homens e a liberdade de ter apenas um a quem agradar — Deus.
Agradar os homens não é apenas impossível, Timóteo, mas é, também, destrutivo a você próprio e à sua família. Você e Mary precisam se comprometer, graciosamente, a recusarem que as pessoas que você serve preparem a agenda de sua família, ainda que elas se esforcem para isto.
Proteja sua família de todos os desapontamentos e feridas do ministério. Algumas das maiores tristezas do ministério pastoral são aquelas vezes em que o pastor é acusado. Talvez suas boas obras de pastor sejam relatadas como más. Ou, talvez, ele seja objeto de ataques ou cobranças falsas e injustas. Você não irá servir no mesmo lugar por muito tempo, sem passar por estes momentos de tribulação. Mas, lembre-se: você não precisa se defender — seu Defensor é forte.
Sua esposa e seus filhos precisam de proteção durante estes tempos. Eles saberão que você está passando pelo meio de uma tempestade. Eles podem orar e se sensibilizar com isto. Mas, especialmente seus filhos, não precisam ser arrastados por todos os seus estresses, desapontamentos, dores e medos. Mary certamente precisará saber mais sobre a situação do que seus filhos, mas, ainda assim, você poderá poupá-la dos detalhes mais sórdidos, os quais apenas a impediriam de dormir à noite. A idéia aqui não é colocá-la numa redoma, e lutar sozinho durante os períodos de provação. Vocês são uma só carne e você não pode caminhar sozinho. Aprenda a ter Mary como sua confidente, porém, sem fazê-la carregar os fardos.
Deus irá sustentá-lo durante estas provações. Depois da tempestade sempre vem a bonança (veja Sl 66.10-12). Quando você passar são e salvo pela tempestade, será uma bênção que sua esposa e filhos não tenham detalhes para esquecer, ou lutas para destruir qualquer raiz de amargura que tenha surgido.
É um trabalho maravilhoso — o ministério do evangelho. É claro que há provações. Deus nunca nos deixa ir para muito longe, sem nos ajudar a ver nossas próprias fraquezas e profunda necessidade de seu poder e capacitação. E assim como Pedro diz, em 1 Pedro 1.6-9, mesmo quando nossa fé está sendo testada por todo tipo de provação, nós também podemos ter uma alegria que é inefável e gloriosa. Eu tive esta experiência ainda ontem. Conforme colocava meus fardos diante do Senhor, fui tomado por um incrível senso de estar sendo cuidado por Ele, e pela bondade e retidão ao conhecê-Lo e servi-Lo. A alegria inefável e gloriosa é nossa, mesmo em meio a provações. Que Deus poderoso nós servimos!
Oramos freqüentemente para que Deus continue abençoando a você e toda a sua família.
Seguindo na graça,
Pastor Tedd Tripp

PS – Segue abaixo alguns títulos, cuja leitura irá encorajá-lo em seu chamado como marido e pai:
1. Your Family, God’s Way, Wayne Mack (Phillipsburg, NJ: Presbyterian & Reformed Publishing Co., 1991).
2. The Complete Husband, Lou Priolo (Amityville, NY: Calvary Press Publishing,1999).
3. Pastoreando o Coração da Criança, Tedd Tripp (Editora Fiel, São José dos Campos, SP)
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1 Eugene Peterson, Subversive Spirituality, Grand Rapids, MI: William B. Eerdmans Publishing Co., 1994, 132.
2 Richard Baxter, Christian Directory, reimpressão, Ligioner, PA: Soli Deo Gloria, 1994, 183-195.
3. Pastoreando o Coração da Criança, Tedd Tripp (Editora Fiel, São José dos Campos, SP).
(Extraído do Livro Amado Timóteo, Uma coletânea de Cartas ao Pastor, Editora Fiel, Cap. 3, pp. 47-58.)
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Um pastor é um meio vital da graça para a sua igreja e aos que ele serve.
C. J. Mahaney

Via Traduções evangélicas

Um Desafio às Mulheres

Por John Piper. Tradução por Desiring God. 

  1. Que tudo da sua vida — em qualquer esfera — seja devotado à glória de Deus.
  2. Que as promessas de Cristo sejam confiadas tão plenamente que paz, alegria e força encham sua alma a ponto de transbordar.
  3. Que essa plenitude de Deus abunde em atos diários de amor, de forma que as pessoas possam ver suas boas obras e glorificar ao seu Pai no céu.
  4. Que vocês sejam mulheres do Livro, que amem, estudem e obedeçam a Bíblia em cada área do seu ensino. Que a meditação sobre a verdade bíblica possa ser a fonte de esperança e fé. E que vocês continuem a crescer em entendimento através de todos os capítulos de sua vida, nunca pensando que o estudo e o crescimento são apenas para os outros.
  5. Que vocês sejam mulheres de oração, de forma que a Palavra de Deus se abra para vocês; e o poder da fé e santidade desça sobre vocês; e sua influência espiritual crescerá no lar, na igreja e no mundo.
  6. Que vocês sejam mulheres que tenham uma profunda compreensão da graça soberana de Deus fortalecendo todo esse processo espiritual, que sejam pensadoras profundas sobre as doutrinas da graça, e amantes e crentes profundos dessas coisas.
  7. Que vocês sejam totalmente comprometidas ao ministério, seja qual for o seu papel específico, que não desperdicem o seu tempo em revistas de senhoras ou hobbies inúteis, assim como seus maridos não deveriam desperdiçar o tempo deles em esportes excessivos ou coisas sem propósito na garagem. Que você redima o tempo para Cristo e seu reino.
  8. Que vocês, se solteiras, explorem seu solteirismo para a plena devoção a Cristo e não sejam paralisadas pelo desejo de se casar.
  9. Que vocês, se casadas, apóiem a liderança do seu marido de maneira criativa, inteligente e sincera, tão profundamente como uma obediência a Cristo permitir; que vocês o encorajem em seu papel designado por Deus como o cabeça; que vocês o influenciem espiritualmente primariamente através da sua tranqüilidade destemida, santidade e oração.
  10. Que vocês, se tiverem filhos, aceitem a responsabilidade com o seu marido (ou sozinhas, se necessário) de criar os filhos que esperam no triunfo de Deus, compartilhando com ele o ensino e a disciplina das crianças, e dando aos filhos aquele toque e cuidado protetor especial que vocês são unicamente capacitados para dar.
  11. Que vocês não assumam que o emprego secular é um desafio maior ou um melhor uso da sua vida que as oportunidades incontáveis de serviço e testemunho no lar, na vizinhança, comunidade, igreja e no mundo. Que não proponham somente a pergunta: Carreira vs. Mãe em tempo integral? Mas que perguntem tão seriamente: Carreira em tempo integral vs. Liberdade para o ministério? Que vocês perguntem: O que seria maior para o Reino — ser empregado de alguém que lhe diga o que você deve fazer para seu negócio prosperar, ou ser um agente livre de Deus, sonhando o seu próprio sonho sobre como seu tempo, seu lar e sua criatividade poderiam fazer o negócio de Deus prosperar? E que em tudo isso você faz suas escolhas não sobre a base de tendências seculares ou expectativas de estilo de vida, mas sobre a base do que fortalecerá a sua família e promoverá a causa de Cristo.
  12. Que vocês parem e (com seus maridos, se forem casadas)planejem as várias formas da sua vida ministerial em capítulos. Os capítulos são divididos por várias coisas — idade, força, solteirismo, casamento, escolha de emprego, crianças no lar, crianças na escola, netos, aposentadoria, etc. Nenhum capítulo é tudo alegria. A vida finita é uma série de permutas. Encontrar a vontade de Deus, e viver para a glória de Cristo plenamente em cada capítulo é o que faz dele um sucesso, não se ele se parece com o capítulo de outra pessoa ou se tem nele o que o capítulo cinco terá.
  13. Que vocês desenvolvam uma mentalidade e um estilo de vida guerreiro; que nunca se esqueçam que a vida é breve, que milhões de pessoas estão entre o céu e o inferno todos os dias, que o amor ao dinheiro é suicídio espiritual, que os objetivos de mobilidade ascendente (roupas chiques, carros, casas, férias, comidas, hobbies) são um substituto pobre para os objetivos de viver para Cristo com toda a sua força, e maximizar sua alegria no ministério ao ajudar pessoas.
  14. Que em todos os seus relacionamentos com os homens vocês procurem a direção do Espírito Santo ao aplicar a visão bíblica da masculinidade e feminilidade; que vocês desenvolvam um estilo e comportamento que faça justiça ao papel único que Deus deu aos homens para serem responsáveis pela liderança graciosa com relação às mulheres — uma liderança que envolve elementos de proteção, cuidado e iniciativa. Que vocês pensem criativamente e com sensibilidade cultural (assim como ele deve fazer) ao moldar o estilo e ajustar o tom de sua interação com os homens.
  15. Que vocês vejam a direção bíblica para o que é apropriado e inapropriado para os homens e mulheres em relação uns para com os outros, não como restrições arbitrárias sobre a liberdade, mas como prescrições sábias e graciosas de como descobrir a verdadeira liberdade do ideal de complementaridade de Deus. Que vocês não mensurem sua potencialidade pelas poucas funções restringidas, mas pelas incontáveis oferecidas. 
Via: Traduções evangélicas

Uma Palavra aos Pais

Por A.W. Pink. Tradução por Editora Fiel.

 

Uma Parte da série Fe Para Hoje


Uma das mais infelizes e trágicas características de nossa civiliza- ção é a excessiva desobediência aos pais da parte dos filhos, quando menores, e a falta de reverência e respeito, quando grandes. Infelizmente, isto se evidencia de muitas maneiras inclusive em famílias cristãs. Em nossas abundantes viagens nestes últimos trinta anos, fomos recebidos em muitos lares. A piedade e a beleza de alguns deles ainda permanecem em nossos cora ções como agradáveis e singelas recordações. Outros lares, porém, nos transmitiram as mais dolorosas impressões. Os filhos obstinados ou mimados não apenas trazem para si mesmos perpétua infelicidade, mas também causam desconforto para todos que se relacionam com eles e prenunciam coisas ruins para os dias vindouros. Na maioria dos casos, os filhos são menos culpados do que seus pais. A falta de honra aos pais, onde quer que a achemos, deve-se em grande medida aos pais afastarem-se do padrão das Escrituras. Atualmente, o pai imagina que cumpre suas obriga ções ao fornecer alimento e vestu ário para os filhos e, ocasionalmente, ao agir como um tipo de policial de moralidade. Com muita freqüência, a mãe se contenta em desempenhar a função de uma criada doméstica, tornando-se escrava dos filhos, realizando várias tarefas que estes poderiam fazer, para deixá-los livres em atividades frívolas, ao invés de treiná-los a serem pessoas úteis. A conseqüência tem sido que o lar, o qual deveria ser - por causa de sua ordem, santidade e amor - uma miniatura do céu, degenerou-se em "um ponto de parada para o dia e um estacionamento para a noite", conforme alguém sucintamente afirmou.
Antes de esboçarmos os deveres dos pais em relação aos filhos, devemos ressaltar que eles não podem disciplinar adequadamente seus filhos, a menos que primeiramente tenham aprendido a governar a si mesmos. Como podem eles esperar que a obstinação de suas crianças sejam dominadas e controladas as manifestações de ira, se eles mesmos dão livre curso à seus próprios sentimentos. O caráter dos pais é amplamente reproduzido em seus descendentes. "Viveu Adão cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhan ça, conforme a sua imagem" (Gn 5.3). Os pais devem eles mesmos viver em submissão a Deus, se desejam obediência da parte de seus filhos. Este princípio é enfatizado muitas e muitas vezes nas Escrituras. "Tu, pois, que ensinas a outrem, não te ensinas a ti mesmo?" (Rm 2.21). A respeito do pastor ou presbítero da igreja está escrito que ele tem de ser alguém "que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?)"(1 Tm 3.5). E, se um homem ou uma mulher não sabem como dominar seu próprio espírito (Pv 25.28), como poderão cuidar de seus filhos?
Deus confiou aos pais um solene e valoroso privilégio. Não exageramos ao afirmar que em suas mãos estão depositadas a esperança e a bênção ou a maldição e a ruína da próxima geração. Suas famílias são os berçários da Igreja e do Estado, e, de acordo com o que agora cultivam, tais serão os frutos que colherão posteriormente. Eles deveriam cumprir seu privilégio com bastante dilig ência e oração. Com certeza, Deus lhes pedirá contas referentes à maneira de criarem seus filhos, que a Ele pertencem, sendo-lhes confiados para receberem cuidado e preservação. A tarefa que Deus confiou aos pais não é fácil, em especial nestes dias excessivamente maus. Entretanto, poderão obter a graça de Deus, se a buscarem com sinceridade e confiança. As Escrituras nos fornecem as regras pelas quais devemos viver, as promessas das quais temos de nos apropriar e, precisamos acrescentar, as terríveis advert ências, para que não realizemos essa tarefa de maneira leviana.
Instrua seu filho
Queremos mencionar aqui quatro dos principais deveres confiados aos pais. Primeiro, instruir seus filhos. "Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcar ás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te" (Dt 6.6-7). Este dever é sobremodo importante para ser transferido aos outros; Deus exige dos pais, e não dos professores da Escola Dominical, a responsabilidade de educarem seus filhos. Tampouco essa tarefa deve ser realizada de maneira esporádica ou ocasional, mas precisa receber constante aten- ção. O glorioso caráter de Deus, as exigências de sua lei, a excessiva malignidade do homem, o maravilhoso dom de seu Filho e a terrível condenação que será a recompensa de todos aqueles que O desprezam e rejeitam . estas coisas precisam ser apresentadas constantemente aos filhos. "Eles são pequenos demais para entendê-las. é o argumento de Satanás, visando impedir os pais de cumprirem seu dever.
"E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor" (Ef 6.4). Temos de observar que os "pais" são especificamente mencionados neste versículo, por duas razões: eles são os cabeças das famílias e o governo desta lhes foi confiado; os pais são inclinados a transferir sua responsabilidade às esposas. Essa instrução deve ser ministrada através da leitura da Bíblia e de explicar aos filhos as coisas adequadas à sua idade. Isto deveria ser acompanhado de ensinar-lhes um catecismo. Um constante falar aos mais novos não se mostra tão eficiente quanto a diversificação com perguntas e respostas. Se nossos filhos sabem que serão questionados após ou durante a leitura bíblica, ouvirão mais atentamente: fazer perguntas os ensina a pensarem por si mesmos. Este método também leva a memó-ria a reter mais os ensinos, pois o responder perguntas definidas fixa idéias específicas em nossas mentes. Observe quantas vezes Jesus fez perguntas aos seus discípulos.
Seja um bom exemplo
Segundo, boas instruções precisam ser acompanhadas de bons exemplos. O ensino proveniente apenas dos lábios provavelmente será ineficaz. Os filhos são espert íssimos em detectar inconsistências e rejeitar a hipocrisia. Neste aspecto, os pais precisam humilhar-se diante de Deus, buscando todos os dias a graça que desesperadamente necessitam e somente Ele pode dar. Que cuidado eles precisam ter, para que diante de suas crianças não digam e façam coisas que tendem a corromper suas mentes ou produzam más conseqüências, se elas as imitarem! Os pais necessitam estar constantemente alertas contra aquilo que pode torná-los desprezíveis aos olhos daqueles que deveriam respeitá-los e honrá-los. Não apenas devem instruir seus filhos no caminho da santidade, mas eles mesmos devem andar neste caminho, mostrando por sua prática e conduta quão agradável e proveitoso é ser orientado pela lei de Deus.

No lar de pessoas crentes, o supremo alvo deve ser a piedade familiar - honrar a Deus em todas as ocasiões -, e as outras coisas, subordinadas a este alvo. Quanto à vida familiar, nem o esposo nem a esposa deve transferir para o outro toda a responsabilidade pelo aspecto espiritual da vida da família. A mãe com certeza tem a incumbência de suplementar os esforços do pai, pois os filhos desfrutam mais de sua companhia. Se existe a tendência de os pais serem muito rígidos e severos, as mães são propensas a serem muito brandas e clementes; portanto, têm de vigiar mais contra qualquer coisa que enfraquecerá a autoridade do pai. Quando este proibir alguma coisa, ela não deve consenti-la às crianças. É admirável observar que a exortação dada em Efésios 6.4 é precedida por “Enchei-vos do Espírito” (Ef 5.18); enquanto a exortação correspondente em Colossenses 3.21 é precedida por "habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo" (v. 16), demonstrando que os pais não podem cumprir seus deveres, a menos que estejam cheios do Espírito Santo e da Palavra de Deus.
Discipline seu filho
Terceiro, a instrução e o exemplo precisam ser reforçados mediante a correção e a disciplina. Antes de tudo, isto implica no exerc ício de autoridade -- a correta aplicação da lei divina. A respeito de Abraão, o pai dos fiéis, Deus afirmou: "Porque eu o escolhi para que ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, a fim de que guardem o caminho do SENHOR e pratiquem a justiça e o juízo; para que o SENHOR faça vir sobre Abraão o que tem falado a seu respeito" (Gn 18.19). Pais crentes, meditem estas palavras com cuidado. Abraão fez mais do que simplesmente dar conselhos: ele ensinou com vigor a lei de Deus e ordenou sua casa. As regras com que ele administrou seu lar tinham o objetivo de seus filhos guardarem "o caminho do SENHOR" -- aquilo que era correto aos olhos de Deus. Este dever foi cumprido pelo patriarca a fim de que a bênção de Deus estivesse sobre sua família. Nenhuma fam ília pode crescer adequadamente sem leis familiares, que incluem recompensas e castigos. Isto é especialmente importante na primeira infância, quando ainda o caráter moral não está formado e as crian- ças não apreciam ou entendem seus motivos morais.
As regras devem ser simples, claras, lógicas e flexíveis, tais como os Dez Mandamentos -- poucas mas relevantes regras morais, ao invés de centenas de restrições insignificantes. Uma das maneiras de provocarmos desnecessariamente nossos filhos à ira é atrapalhá-los com muitas restri ções insignificantes e regras detalhadas e arbitrárias, procedentes de pais perfeccionistas. É de vital import ância para o bom futuro dos filhos que estes sejam trazidos em submissão desde cedo. Uma criança malcriada representa um adulto ímpio -- nossas prisões estão superlotadas com pessoas que tiveram a liberdade de seguirem seus próprios caminhos durante sua infância. A mais leve ofensa de uma criança quebrando as regras do lar não deve ficar sem a devida correção; pois, se ela achar clemência ao transgredir uma regra, esperará a mesma clem ência em relação a outras ofensas, e sua desobediência se tornará mais freqüente, até que os pais não tenham mais controle, exceto através do exerc ício de força brutal.
O ensino das Escrituras é claro quanto a este assunto. "A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela" (Pv 22.15; ver também 23.13-14). Por isso, Deus afirmou: "O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina" (Pv 13.24). E, ainda: "Castiga a teu filho, enquanto há esperança, mas não te excedas a ponto de matá-lo" (Pv 19.18). Não permita que uma afeição insensata o impeça de cumprir seu dever. Com certeza, Deus ama seus filhos com um sentimento paternal mais profundo do que você ama seus filhos, mas Ele nos diz: "Eu repreendo e disciplino a quantos amo" (Ap 3.19; cf. Hb 12.6). "A vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe" (Pv 29.15). A severidade tem de ser utilizada nos primeiros anos de uma criança, antes que a idade e a obstinação endureçam-na contra o temor e a pungência da corre ção. Poupe a vara e você arruinará seu filho; não a utilize e terá de sofrer as conseqüências.
É quase desnecessário salientar que as Escrituras citadas anteriormente não têm o propósito de incutirnos a idéia de que nosso lar deve ser caracterizado por um reino de terror. Os filhos podem ser governados e disciplinados de tal maneira, que não percam o respeito e as afeições por seus pais. Estejamos atentos para não estragarmos seus temperamentos, por fazermos exigências ilógicas, e provocá-los à ira, por castigá-los expressando nossa própria ira. O pai têm de punir um filho desobediente não porque ficou bravo, e sim porque é correto fazer isso -- Deus o exige, bem como a rebeldia de seu filho. Nunca faça uma ameaça, se não tenciona cumpri-la. Lembre que estar bem informado é bom para seu filho, mas ser bem controlado é ainda melhor.
Esteja atento às inconscientes influências que cercam seu filho. Estude meios para tornar seu lar atraente, não pela utiliza ção de recursos carnais e mundanos, mas por servir- se de ideais nobres, por incutirlhes um espírito de altruísmo e desenvolver uma comunh ão agradável e feliz. Não permita que seus filhos se associem a más companhias. Verifique cautelosamente as revistas e livros que entram em seu lar, observe os amigos que ocasionalmente seus filhos convidam para vir ao lar e as amizades que eles estabelecem. Antes mesmo de o reconhecerem, muitos pais permitem seus filhos relacionarem-se com pessoas que arruinam a autoridade paternal, transtornam seus ideais e semeiam frivolidade e pecado.
Ore por seus filhos
Quarto, o último e mais importante dever, no que se refere ao bem-estar físico e espiritual de seus filhos, é a intensa súplica a Deus em favor deles. Sem isto, todos os outros deveres são ineficazes. Os meios são inúteis, exceto quando o Senhor os abençoa. O trono da graça tem de ser fervorosamente buscado, para que sejam coroados de sucesso os nossos esforços em educar os filhos para a glória de Deus. É verdade que precisa haver uma humilde submiss ão à soberana vontade de Deus, um prostrar-se ante a verdade da eleição. Por outro lado, o privilégio da fé consiste em apropriar-se das promessas divinas e em recordar que a ardente e eficaz oração de um justo produz muitos resultados. A Bíblia nos diz que o piedoso Jó "chamava...a seus filhos e os santificava; levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles" (Jó 1.5). Uma atmosfera de oração deve permear o lar e ser respirada por todos os que dele compartilham.

Via Gospel translations

Mostrar Às Criancas o Que É Mais Importante

Por Tedd Tripp. Tradução por Editora Fiel.
Uma Parte da série Fe Para Hoje

Preletor na Conferência Fiel, Brasil - 2007

Vivemos em um tempo perigoso. O evangelismo moderno reduziu a mensagem e o propósito do evangelho. Muito do cristianismo evangélico se focaliza em levar as pessoas a fazerem a oração do pecador, de modo que sejam asseguradas de que irão ao céu. O âmago do evangelho é a glória de Deus. Ele é tão zeloso de sua própria glória (Is 42.8), que enviou seu único Filho para redimir pessoas corrompidas, indignas e pecadoras. O Filho era tão zeloso de sua própria glória, que orou expressando o desejo de que seus discípulos vissem a sua glória (Jo 17.24). A glória de Deus moveu o seu coração a escolher um povo (Rm 9.23). O âmago do evangelho é a glória de Deus.
O propósito de Deus em estender sua graça às pessoas caídas é a sua glória. Deus é glorificado quando é valorizado acima de todas as coisas. Deus é glorificado quando é considerado um tesouro. Deus é glorificado quando é o nosso bem mais valioso. Deus é glorificado quando é nossa fonte de deleite. Deus é glorificado quando você mostra que Ele é o Ser mais maravilhoso e todo-suficiente no universo. O âmago do evangelho é a glória de Deus.
Considere o Salmo 96:
Cantai ao SENHOR um cântico novo, cantai ao SENHOR, todas as terras. Cantai ao SENHOR, bendizei o seu nome; proclamai a sua salvação, dia após dia. Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos os povos, as suas maravilhas.
Observe que a proclamação da salvação é uma proclamação da glória de Deus. Ele é tremendo; portanto, deve ser grandemente louvado. Deve ser temido acima de todos os deuses. Esplendor, glória e majestade lhe pertencem. Ele reina. Deus é glorioso, cheio de esplendor e majestade.

Deus não existe para o homem; o homem existe para Deus. O evangelho de Jesus restaura o homem caído, corrompido, para que este seja um verdadeiro adorador de Deus. Estas verdades confirmam-se a si mesmas para os seus filhos. O Deus da Bíblia, o trino Deus, é o único, o supremo objeto de nossa adoração.
Lembra-se da parábola do reino, em Mateus 13.44? “O reino dos céus é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo homem, tendo-o achado, escondeu. E, transbordante de alegria, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo.”
Recorda o que o homem fez, ao encontrar o tesouro? Ele o escondeu novamente. Transbordante de alegria, ele foi e vendeu tudo, para comprar aquele campo e possuir o tesouro. Ele não vendeu tudo motivado por um senso de obrigação. Você pode imaginá-lo achando o tesouro e dizendo a si mesmo: você não sabia que eu acharia um tesouro naquele campo? Odeio quando isto acontece comigo! Agora, terei de vender todos os meus bens, de modo que possa comprar aquele campo idiota e possuir aquele tesouro”. É ilógico pensar que ele se desfez de tudo por um senso de dever. Motivado por um profundo senso de alegria, ele vendeu tudo o que tinha. O tesouro o deslumbrou.
Assim é o reino dos céus. Até que nossos filhos vejam a glória de Deus, na face de Jesus cristo; até que vejam que Ele é o Lírio dos Vales, a Brilhante Estrela da Manhã, o Único que é totalmente desejável; até que vejam e entendam que Ele é digno de abandonarmos tudo e que nada em toda a terra é mais importante do que conhecer e amar a Jesus, eles jamais O conhecerão, O amarão e O servirão. Podem até ser membros de igreja, ser cooperadores no acampamento de adolescentes, ou participar de viagens missionárias, mas, se não forem convencidos de que Cristo é o tesouro, jamais O conhecerão verdadeiramente.
Você não pode superestimar a importância de mostrar aos seus filhos a glória de Deus. Se os seus filhos não sabem quem é Deus, como Ele pensa, o que Ele sente e por que faz o que faz, não terão qualquer motivo para encontrar gozo nEle, nenhuma razão para celebrar a sua bondade abundante, nenhuma base para achar satisfação nEle. Deleite em Deus não pode ocorrer em um vácuo intelectual. Seu cuidado em mostrar e revelar as maravilhas do glorioso ser de Deus é crucial para seus filhos. Regozijo em Deus é o fruto do que você sabe ser verdadeiro a respeito dEle. O calor espiritual do gozo, deleite e admiração na face de Deus não pode acontecer em um vácuo conceitual.

Via: Traduções evangélicas

O Pai de John G. Paton


John Piper

A Chave da Coragem Dele

John G. Paton foi um missionário no arquipélago das Novas Hébridas, hoje chamadas Vanuatu, no Sudeste do Pacífico. Ele nasceu na Escócia em 1824. Escrevo a respeito dele por causa da coragem que ele demonstrou durante os seus oitenta e dois anos de vida. Quero ser corajoso na causa de Cristo. E, em especial, desejo que meus filhos também o sejam. Por isso medito sobre a coragem de outros. De onde ela vem? Quando procuro descobrir as razões por que John Paton era tão corajoso, uma das razões que encontro é o profundo amor que ele tinha por seu pai.

O tributo que John Paton prestou ao seu piedoso pai já vale o preço de sua Autobiografia (que ainda está sendo impressa). Talvez devido ao fato que tenho quatro filhos (e Thalita), chorei quando li esta parte da autobiografia de John Paton. Encheu-me de anelo por ser um pai como aquele.

Havia um “quartinho” em que o pai de John Paton orava, como regra, depois de cada refeição. Os onze filhos conheciam esse lugar, respeitavam-no e aprenderam algo profundo a respeito de Deus. O impacto sobre John Paton foi imenso.

Mesmo que uma catástrofe indizível pudesse banir de minha memória tudo o que diz respeito à religião (e que tais coisas fossem apagadas de meu entendimento), minha alma ainda se recordaria daquelas cenas antigas; se fecharia novamente no Pequeno Santuário e, ouvindo os ecos daqueles clamores a Deus, resistiria a todas as dúvidas com o vitorioso apelo: “Ele andou com Deus, por que não eu?

Não posso explicar o quanto as orações de meu pai me impressionaram, naquele tempo. Nenhum estranho poderia compreendê-lo. Quando, de joelhos, com todos nós ajoelhados ao seu redor, em culto familiar, ele derramava toda a sua alma, com lágrimas, em favor da conversão do mundo pagão à adoração a Jesus, bem como em favor de necessidades pessoais e familiares, todos nos sentíamos como se estivéssemos na presença do Salvador vivo e aprendíamos a conhecê-Lo e amá-Lo como nosso divino Amigo.

Uma das cenas capta melhor o amor entre John Paton e seu pai e o poder do impacto sobre a vida de inflexível coragem e pureza de John. Chegou o tempo em que, aos vinte anos de idade, o jovem John Paton deixou a sua casa e foi para Glasgow, estudar teologia e tornar-se um missionário urbano. De sua casa, em Torthorwald, até a estação ferroviária, em Kilmarnock, havia uma jornada de setenta e oito quilômetros. Quarenta anos depois, Paton escreveu:

Meu querido pai caminhou comigo os primeiros dez quilômetros da jornada. Seus conselhos, lágrimas e conversa espiritual naquela jornada de partida ainda estão vivos em meu coração, como se tivessem sido ditos ontem. E lágrimas escorrem em minha face tão livremente agora como naquele dia, sempre que a memória me conduz àquela cena. No último quilômetro desta parte da jornada, caminhávamos juntos em silêncio ininterrupto — meu pai, conforme o seu costume, levava o chapéu na mão, enquanto seus longos cabelos loiros (naquela época, loiros, mas nos anos de velhice, brancos como a neve) escorriam sobre os ombros. Seus lábios se moviam em oração silenciosa em meu favor. E suas lágrimas jorravam imediatamente quando nossos olhos contemplavam um ao outro, em olhares para os quais todas as palavras era vãs! Paramos no ponto de despedida. Ele segurou com firmeza a minha mão, por um minuto, em silêncio, e disse solene e afetuosamente: “Deus te abençoe, meu filho! O Deus de teu pai te faça prosperar e te guarde de todo o mal!

Incapaz de falar mais alguma coisa, os seus lábios continuaram a se mover em oração silenciosa. Em lágrimas, nos abraçamos e partimos. Corri o mais depressa possível e, quando estava para virar em uma curva da estrada, onde ele me perderia de vista, olhei para trás e o vi ainda de pé, com a cabeça sem chapéu, no lugar em que o havia deixado — olhando para mim. Acenando o meu chapéu em despedida, rumei para a curva e sai de vista por um momento. Meu coração, porém, estava muito sobrecarregado e sentido, para eu seguir adiante; por isso, corri para um lado da estrada e chorei por um tempo. Então, levantando-me cautelosamente, subi um barranco para ver se ele ainda estava onde o havia deixado. E, naquele exato momento, eu o vi subindo o barranco, procurando-me! Ele não me via; e depois de procurar-me atentamente, por alguns instantes, desceu o barranco, fixou seus olhos em direção ao lar e começou a voltar — com sua cabeça ainda descoberta e seu coração, eu tinha certeza, erguendo-se em orações por mim. Eu o via através das lágrimas até que sua forma desapareceu de meu olhar. Então, apressando-me na jornada, votei, com sinceridade e muitas vezes, que com a ajuda de Deus nunca entristeceria nem desonraria um pai e uma mãe como os que Ele me dera.

O impacto das orações, da fé, do amor e da disciplina do pai de John Paton foi incalculável. Que todo pai leia estas palavras e encha-se de anelo e firme resolução de amar desta maneira.

Extraído do livro:

Penetrado pela Palavra
Penetrado pela Palavra
John Piper

Como Ser um Refúgio para seus Filhos


John Piper

Se papai está com medo, para quem o filhinho se voltará? Supõe-se que os pais são seguros; que eles sabem o que fazer, como resolver problemas, consertar as coisas e, mais importante do que tudo, como proteger os filhos dos perigos. Mas, o que acontece quando uma criança vê o medo na face de seu pai? O que acontece se o pai está tão atemorizado quanto a criança e não sabe o que fazer? Então, ela fica perturbada e sente pânico.

No entanto, se o pai é confiante, o filho têm um refúgio. Se o pai não está apavorado, e sim calmo e firme, todas as muralhas podem ruir; todas as ondas, quebrar-se; todas as serpentes podem sibilar; os leões, rugir; e os ventos, soprar, não haverá lugar mais seguro do que os braços do pai. O pai é um refúgio, enquanto está confiante. Esta é a razão por que Provérbios 14.26 diz: “Isso é refúgio para seus filhos”, se o pai tem forte confiança. A confiança do pai é um refúgio para o filho.

Pais, a batalha para sermos confiantes não é apenas a respeito de nós mesmos; é a respeito da segurança de nossos filhos. É uma batalha que se refere ao senso de segurança e felicidade deles. E sobre a questão se eles crescerão vacilantes ou firmes na fé. Até que os filhos conheçam a Deus, de maneira profunda e pessoal, somos a imagem e a incorporação de Deus na vida deles. Sendo pessoas confiantes, confiáveis e seguras para eles, é mais provável que eles se acheguem a Deus para tê-Lo como seu refúgio, quando as tempestades lhes sobrevierem.

Então, como podemos ter forte confiança? Antes de tudo, nós também somos crianças; vasos de barro, frágeis e quebradiços, que lutam com ansiedades e dúvidas. A melhor solução é usarmos a melhor aparência que tivermos e ocultarmos nosso verdadeiro “eu”? Na melhor das hipóteses, isso nos causará úlceras e, na pior, nos levará a uma duplicidade que desonra a Deus e repele os adolescentes. Esta não é a resposta.

Provérbios 14.26 nos oferece outra resposta: “No temor do Senhor, tem o homem forte amparo”. Isto é muito estranho. Este versículo nos diz que a solução para o medo é o temor. A solução para a timidez é o temor. A solução para a incerteza é o temor. A solução para a dúvida é o temor.


Como pode ser isto?

Parte da resposta é que o “temor do Senhor” significa temer desonrar o Senhor; e isso implica ter medo de temer aquelas coisas sobre as quais o Senhor nos prometeu ajuda para vencê-las. Em outras palavras, o temor do Senhor é um grande destruidor de temores.

Se o Senhor diz: “Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel” (Is 41.10), é algo temeroso inquietar-nos a respeito do problema sobre o qual Ele diz que nos ajudará. Temer esse problema, quando Ele diz: “Não temas, porque eu te ajudo”, é um voto de desconfiança contra a Palavra de Deus e uma grande desonra para Ele. E o temor do Senhor treme desonrar a Deus.

O Senhor diz: “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei”. Portanto, afirmemos confiantemente: “O Senhor é o meu auxílio, não temerei; que me poderá fazer o homem?” (Hb 13.5,6.) Se o Senhor lhe diz isso, não confiar na presença e ajuda dEle, conforme nos prometeu, é um tipo de orgulho. Coloca a nossa avaliação do problema acima do próprio Deus. Esta é a razão por que lemos estas admiráveis palavras do Senhor: “Eu, eu sou aquele que vos consola; quem, pois, és tu, para que temas o homem, que é mortal, ou o filho do homem, que não passa de erva?” (Is 51.12.) Quem é você para temer o homem, quando Deus prometeu ajudá-lo? É orgulho temer o homem. E o orgulho é oposto do temor do Senhor.

Sim, este Provérbio é verdadeiro e grande ajuda para nós. Pai, tema a Deus. Sim, tema a Deus. Tema desonrá-Lo. Tema desconfiar dEle. Tema colocar a sua avaliação do problema acima do próprio Deus. Deus afirma que pode ajudá-lo. Ele é mais sábio do que você, mais forte e mais generoso. Confie nEle. Tema não confiar nEle.

Por quê? Deus trabalha por aqueles que esperam nEle (Is 64.4). Deus resolverá o problema. Ele salvará a família. Cuidará dos pequeninos. Suprirá as necessidades de vocês. Tema desconfiar dessa promessa. Então, os seus filhos terão um refúgio. Eles terão um pai que tem firme confiança — não em si mesmo, e sim nas promessas de Deus, perante o Qual ele treme, se não confiar.



Extraído do livro:

Penetrado pela Palavra
Penetrado pela Palavra
John Piper